EXPOSIÇÃO

Livro de Rua (fashion-abandono)

Diógenes Moura

Em cartaz de 2 de fevereiro a 3 de março, 2018

Abertura: 2 de fevereiro, sexta-feira, 18 - 22 h

Pela primeira vez o escritor, curador de fotografia e editor Diógenes Moura exibe a série com 34 imagens de sua pesquisa que vem sendo realizada desde 2010 nos Campos Elíseos, bairro onde vive há 30 anos.

LIVRO DE RUA (série fashion-abandono) trata de literatura, imagem e esquecimento. Os “pacotes-existência”, como define o autor, estão aos nossos pés como resquícios de humanidades à beira do grande abismo que se tornou o mundo contemporâneo.

Todas as imagens foram feitas com celular em menos de cinco segundos.

 

Não são fotografias

As imagens da exposição LIVRO DE RUA (série fashion-abandono) são o resultado de sete anos da pesquisa que venho desenvolvendo no bairro dos Campos Elíseos, onde moro há trinta anos. Não são fotografias. São imagens feitas com um celular. Fotografia é abismo. Imagem feita com celular não possui segunda pele. Basta olhar e pronto. A diferença pertence a quem ver. O outro se incorpora ao primeiro plano e nada mais. Pode doer, sim. Como doem e não doem os pacotes-existência que aqui estão e que se espalham (cada dia mais um, ou dois, ou três) pelas ruas do bairro, na região central de São Paulo depois de perderem o emprego, a casa, a família, a esperança, o amanhã dilacerado pelo que está por vir. Lá e aqui eles estão no silêncio e nos gritos da loucura coberta por fuligem: a segunda pele da imagem. São como nós. Estão aos nossos pés. Fashion-abandono é um subtítulo perverso. Tem a ver com modismo, com a variação dos invólucros que protegem cada um desses personagens. Cada um deles é diferente numa cidade onde para ser diferente teremos que ser “iguais”. Na mesma cidade onde cachorros passeiam em carrinhos de bebê e são chamados pelos donos de “meu filhinho”. Na mesma cidade onde um homem, catador de papelão, é assassinado com uma flechada no pescoço em pleno Século XXI. As imagens de LIVRO DE RUA são o que me interessa na cidade onde vivo, entre violência e paixão. Meu por de sol é o Minhocão. Meu contraluz são as lanternas vermelhas dos automóveis no caos do trânsito interrompido. Minha poesia vem da voz da mulher belissimamente desvairada que corre em baixo do viaduto gritando que “a saudade é como um dia de Domingo, às 17h30”. Dói nela e dói em mim. Deus tomou Gardenal. Mas nada de tragédias. Aqui estamos e a cidade é um presépio. Tem alma. Pulsa e adormece. E cochicha bem baixinho nos ouvidos de cada um de nós: “Ou você me decifra ou te devoro em trinta segundos”.

Sobre o autor

Diógenes Moura é escritor, curador de fotografia, roteirista e editor independente. Nasceu em Recife, Pernambuco. Viveu durante 17 anos em Salvador onde fez parte da equipe de criação da TV Educativa da Bahia. Vive em São Paulo desde 1989, no mesmo bairro, Campos Elíseos. Premiado no Brasil e exterior foi Curador de Fotografia da Pinacoteca do Estado de São Paulo entre 1999/2013 onde realizou exposições, edições de livros e reflexões sobre o pensamento fotográfico tornando o acervo do museu um dos mais importantes da América Latina. Recebeu três vezes o Prêmio APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte) pelo seu trabalho como cu rador. Com Ficção Interrompida – Uma Caixa de Curtas ganhou novamente o Prêmio APCA de melhor livro de contos/crônicas, em 2010. Com o mesmo título foi finalista do Premio Jabuti de Literatura 2011. Tem publicados entre outros Elásticos Chineses –Poemas Sujos (Casa de Palavras/Fundação Casa de Jorge Amado,1999), Drão de Roma – Dezembro Caiu (Casa de Palavras/Fundação Casa de Jorge Amado, 2006) e Fulana Despedaçou o Verso (Terra Virgem Editora, 2014). O Livro dos Monólogos – Recuperação para Ouvir Objetos seu novo livro será publicado pela Vento Leste Editora em maio de 2018.

Diógenes Moura. LIVRO DE RUA (série fashion-abandono). Campos Elíseos, São Paulo, 2010/17.

EXPOSIÇÕES PASSADAS

Uma lista de todas as exposições realizadas na galeria desde 2011.