1968: A Passeata dos Cem Mil

Evandro Teixeira

Em cartaz de 21 de abril a 26 de maio, 2018

Aviso: galeria fechada no sábado, 19 de maio

Primeira exposição de fotografias de Evandro Teixeira na Utópica.

 

Em março de 1968, no Rio de Janeiro, em pleno regime militar, a polícia invadiu o restaurante universitário onde os estudantes protestavam contra o aumento dos preços e no confronto, com um tiro a queima roupa, matou Edson Luís de Lima Souto, um estudante secundarista de 18 anos de idade. Esse foi o estopim que durante os meses seguintes semeou uma série de manifestações espalhadas pela cidade, violentamente reprimidas pelo exército, a polícia e os grupos paramilitares a serviço do Estado militar. Os protestos culminaram no dia 26 de junho com uma grande marcha que tomou conta do centro da cidade e que ficou conhecida como “A passeata dos Cem Mil”.

O que acontecia no Brasil era um reflexo de um movimento que se alastrava pelo planeta. 1968 foi o ano em que os jovens, em todos os lugares, confrontaram a autoridade e os costumes: em Paris, no célebre mês de maio; na primavera de Praga da Checoslováquia; nas manifestações contra a guerra do Vietnã e pelos direitos civis nos Estados Unidos; nas grandes manifestações estudantis na cidade do México e em Berlim; e contra as ditaduras nos países latino-americanos.

Evandro Teixeira, um dos maiores fotojornalistas brasileiros, então a serviço do Jornal do Brasil, foi encarregado de cobrir a manifestação. As cerca de vinte fotografias que a galeria Utópica apresenta são algumas das mais célebres e marcantes da história da luta pelos direitos civis durante o longo regime militar que se instaurou no Brasil em 1964 e perdurou até 1985. A marcha do exército e a cavalaria contra os manifestantes; a multidão que como um verdadeiro mar de gente carrega a faixa "Abaixo a ditadura" e os grupos solidários de pessoas sentadas nas escadas ou de braços dados caminhando, entre os quais se mesclam artistas e intelectuais como Chico Buarque de Hollanda, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Clarice Lispector, Odete Lara, Tônia Carrero, Paulo Autran e Cacilda Becker, entre muitos outros. Essas imagens, que hoje reverberam mais do que nunca, nos fazem olhar para 1968, cinquenta anos depois, com o mesmo olhar com que olhamos para o mundo nos dias atuais - o olhar dos jovens que não se conformam, um olhar à procura de um mundo mais justo. O mundo não foi mais o mesmo depois daquele ano, 1968 é um símbolo da luta pela liberdade.

 

Evandro Teixeira (Irajuba BA - 1935) iniciou sua carreira jornalística em 1958, em O Diário de Notícias, Salvador (BA). Logo em seguida, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde mora até hoje, inicialmente para trabalhar no Diário da Noite. Em 1963, ingressou no Jornal do Brasil, onde se tornou uma figura mítica do fotojornalismo nacional. Trabalhou no JB durante 47 anos, deixando o jornal apenas em 2010, quando este interrompeu a circulação impressa passando ao digital. Fotografou desde desfiles de escolas de samba até os velórios dos generais da ditadura. Entre os momentos marcantes de sua carreira figuram a cobertura da chegada do general Castello Branco ao Forte de Copacabana durante o golpe militar de 1964; a repressão ao movimento estudantil no Rio de Janeiro, em 1968; e a queda do governo Salvador Allende, no Chile, em 1973. Outro momento importante, foi a cobertura da Passeata dos Cem Mil, que deu origem a "68 Destinos", livro que reúne entrevistas com cem pessoas identificadas na antológica fotografia tirada em 1968, no Rio de Janeiro. Além deste, é autor dos livros: Fotojornalismo (1983) e Canudos: 100 anos (1997). Seu nome e currículo estão na Enciclopédia Internacional de Fotógrafos, junto aos maiores nomes da fotografia mundial.

Evandro Teixeira

EXPOSIÇÕES PASSADAS

Uma lista de todas as exposições realizadas na galeria desde 2011.