Juca Martins

Manoel Joaquim Martins Lourenço, mais conhecido como Juca Martins, nasceu em Barcelos, Portugal, em 1949, e mudou-se com sua família para São Paulo, em 1957. Desde quando começou a fotografar, em 1970, Juca sempre foi um fotógrafo politizado, formado por um momento histórico bastante particular, durante o qual lutava-se contra as injustiças sociais e pela identidade latino-americana. Seu arquivo de imagens constitui um patrimônio histórico reunido durante uma trajetória de mais de 50 anos.

Juca trabalhou como repórter fotográfico nos principais jornais e revistas do Brasil durante a ditadura militar e esteve presente em alguns momentos marcantes dos movimentos sociais, entre eles, as greves dos bancários e metalúrgicos do ABC, liderados por Luiz Inácio Lula da Silva. Em 1976, foi diretor de arte do jornal Movimento, um dos mais ativos na oposição à ditadura. Três anos depois, fundou a Agência F4 de Fotojornalismo, ao lado de Nair Benedicto, Ricardo Malta e Delfim Martins. A agência foi a grande responsável por conquistas importantes para os fotógrafos brasileiros, como o direito ao negativo e a criação de uma tabela de preços para a comercialização das fotos, o que dava ao fotógrafo o poder de escolher quem publicaria suas imagens. Após a dissolução da F4, fundou em 1991, a Pulsar Imagens, com Laura Del Mar e Delfim Martins. Juca também colaborou com jornais e revistas no exterior, sempre com um olhar humanista, cobrindo conflitos armados no Líbano, El Salvador e Guatemala. Passou algum tempo em Cuba e foi o primeiro a documentar a mineração da Serra Pelada, no Pará, em 1980, um ensaio que lhe valeu o Prêmio Internacional Nikon, em 1981.

Juca é, ainda, o autor de diversos livros e um dos maiores expoentes da fotografia política no Brasil. Recebeu o Prêmio Esso de Fotografia 1980 (pelas imagens da reportagem “Clínica de Repouso Congonhas”, de Cecilia Prada, ganhadora do Prêmio Esso de Reportagem do mesmo ano); além do Prêmio Internacional Nikon, em 1979 (pela cobertura da greve dos bancários em São Paulo); e o Prêmio Wladimir Herzog de Direitos Humanos 1982 (com as fotos da guerra em El Salvador).

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